Vocabulário Informal
Catrevagem: reunião informal, encontro casual, bate-papo divertido, animado;
Coisa imprestável ou sem valor. Significava sobras de uma construção, hoje designa uma cambada ou qualquer grupo de pessoas consideradas vulgares. Bagunça.
Loetrias: conversa fiada, frescura, conversa mole
Em um dia qualquer, numa das ruas da melhor boemia inteiramente noturna e puramente carioca, vaga LOETRIA. Com um andar dançante, com passos embalados e marcados pelos mimos que até parecem ser de uma linda bailarina, ela prossegue. Brincando com os pensamentos alados que norteiam sua mente ela caminha sem pressa, buscando com os olhos algo que verdadeiramente lhe chame e mereça sua atenção.
De repente, ela para e se depara, com ele, sim, o mais aguardado, o mais afamado e genial.... O CATREVAGEM, que pelo simples fato de não se adequar a que chamamos de NORMAL, também atende pela iniciação de “vossa graça” com o artigo definido A Catrevagem.
Rodeado de amigos, Catrevagem ri, sorri, ALTO, disfarçadamente, elegantemente, ESCRAXADAMENTE, promovendo um autêntico e um singular furdunço. Ele, Ela, se diverte e chora de tanto ri. Loetria extasiada, o, a observa e ri por consignação, observa com toda a sua perspicácia o assunto da mais alto importância ser de debatido por catrevagem e seus amigos, que por falar nisso, nesse momento discutem com os pensamentos embalados pelo sabor adoçado de um vinho barato, “como o luar acompanhado de infinitas joias prateadas, num Rio de Janeiro fervente de 32 Cº é belo”
Sim, meus queridos, eu disse assunto da mais alta importância e não ouse pensar o contrário, Loetria não ficaria contente.
Com passos de bailarina, ela então resolve se a aproximar e participar daquele quadro que era pintado pelo tempo bem na sua frente.
Garota delicada, cheia de frescuras, portando muitos exageros, repleta de “não me toques”, se aproxima e instantaneamente encanta Catrevagem e seus companheiros.
Se apaixonaram, se amaram, se gostaram, se identificaram, se completaram.
loetria e catrevagem... catrevagem e loetria... enfim nos seus lugares mais perfeitos, lado a lado.
A noite discorre, o calor parece aumentar, as risadas, os abraços e a troca de olhares também.
Agora o assunto abordado diz respeito ao mar. “Sim, forte, conciso e amante de seus apaixonados assim ele é.” diz a Catrevagem num tom eloquente e poético que até emociona, aquele mesmo tom que pode até te fazer chorar. Loetria prontamente concorda e ressalta, “O que seria da “terra maravilhosa sem o seu gigante azul particular ?, nada seria, ou até pior, seria sem ser.” Aplausos são ouvidos. Casal perfeito, se complementam, se inventam, se ajudam a crescer.
A noite prossegue, meus amigos, e não parece ter fim... Oh essa noite perfeita um dia existirá ? Utopia boêmica noturna aguardada ansiosamente pelo nossos apaixonados.
Mas ainda não foi nessa noite boêmica que essa visão utópica se concretizou.
Os primeiros raios de sol começam a dissipar a mais bela forma da cidade... dissipam o que envolve os belos olhos claros de Loetria e o coração indecifrável de Catrevagem, a escuridão.
Se despendem e prometem se encontrar... em uma rua qualquer, num dia comum em qualquer canto desse mundo, com uma única condição: que pela noite seja. Se vão.
Olho novamente e agora somente exergo um aconchegante bar, com muitas garrafas vazias decorando um infinidade de mesas, umas tombadas, outras … aquilo é uma mesa … ?
Seu Luís Severino, Dono legitimo desse nobre estabelecimento, num sobressalto que me pega de surpresa GRITA a seus dois filhos, Josénabio e Wandercleison “ RAPAZES, acabem com essa CATREVAGEM, e parem de falar LOETRIAS e venham me ajudar.”
Agora eu sorrio, rio e vou me embora, feliz pelo oportunidade recebida, pela graça concebida... uma noite com as ilustres presenças de CATREVAGEM e LOETRIA.